quarta-feira, 7 de junho de 2017

John Wesley e o Desafio de Escola Para as Crianças Pobres


ESCOLA PARA CRIANÇAS POBRES
Parte l

Em junho de 1739, Wesley se encarregou de resolver um problema que angustiava os moradores da região de Bristol. Não havia uma escola nas instalações das minas de Kingswood. Ele estava especialmente preocupado com aquelas crianças pobres que deviam não apenas aprender a ler, escrever e fazer contas, mas também conhecer Jesus Cristo e a Palavra de Deus. Ele, portanto, levou avante um plano que foi concebido primeiramente por Whitefield: construir uma escola perto de Two-Mile Hill, com um grande espaço para pregação, acomodação para dois professores, e um convite para estudantes de todas as idades, incluindo também pessoas já idosas.

Wesley construiu uma nova escola em Kingswood, fora de Bristol. Três semanas antes da reabertura da escola, no dia 24 de junho de 1748, a Conferência gastou bastante tempo estabelecendo as regras e o currículo da escola, que era destinada a instruir crianças “em todos os ramos do conhecimento útil”, desde o alfabeto até as qualificações apropriadas para o “trabalho do ministério”. A lista de matérias era impressionante: leitura, escrita, aritmética, francês, latim, grego, hebraico, álgebra, música. Para as aulas de inglês e cinco outras línguas, Wesley escreveu e publicou gramáticas. Começando na primeira classe com estudantes de seis a dez anos, o esquema incluía trabalho em línguas, as crianças traduziam e vertiam livros tais como Instruções para Crianças, e Praelectiones Pueriles. Na terceira classe os estudantes liam as Confissões de Santo Agostinho; na quarta, liam Cesar. A sétima classe era o nível máximo e nesse ponto esperava-se que repetissem a Ilíada de Homero, que fizessem versos em grego e lessem a Bíblia Hebraica. Wesley estava convencido que qualquer estudante que completasse o currículo de Kingswood seria um estudante melhor que noventa por cento dos graduados em Oxford e Cambridge.

A severidade do programa Journal se igualava em rigor com a disciplina acadêmica. Como tinha sido proposto originalmente, a rotina começava com orações particulares e cânticos, às 4 horas da manhã, e seguia através de várias matérias acadêmicas, práticas devocionais, refeições e a hora de dormir às 8 da noite. As manhãs e as tardes terminavam com um breve intervalo para “andar ou trabalhar”. A ausência de recreação era explicada simplesmente: “Aquele que brinca quando criança, brincará quando for homem”. O cardápio foi organizado cuidadosamente por Wesley incluindo o jejum na sexta-feira, que deveria ser observado até as três horas da tarde por todos que estivessem com saúde.

Parte ll

Na primeira metade do ano de 1768 os alunos da Escola Metodista de Kingswood passaram por importantes experiências. Uma carta, de 18 de maio e dirigida a John Wesley, informa sobre os acontecimentos. Diz: “A obra de Deus continua em Kingswood. Dos cento e trinta membros que se somaram à sociedade desde a última conferência, a maioria recebeu a fé justificadora e continua regozijando-se em Deus, seu Salvador. E o que é mais assombroso, não conheço nem uma só que tenha tido uma recaída. O derramamento do Espírito sobre as crianças do Colégio não tem sido excessivo. Creio que todos têm sido afetados, sem exceção, uns mais que outros. Doze deles encontraram a paz no Senhor e alguns de uma forma realmente extraordinária. Estes já não duvidam em absoluto do favor de Deus, como não duvidariam de sua própria existência. E o Senhor continua com eles, ainda não de uma forma tão poderosa como algumas semanas atrás”.

James Hindmarsh, um dos professores de Kingswood, também relatou à Wesley os acontecimentos extraordinários ocorrido na Escola. Diz ele:
“Na quarta-feira, dia 20 de abril de 1768, Deus se apresentou surpreendentemente diante de nossas crianças. Desde algum tempo temos notado uma preocupação séria em alguns deles. Mas nesta noite, enquanto estavam em suas dependências privadas, o poder de Deus se manifestou a eles como um grande vento que os fez clamar por misericórdia. Espero que esta noite, na qual vinte jovenzinhos experimentaram uma angústia suprema, não será jamais esquecida. Deus deu a paz a dois deles, J. Glascot e T. Maurice. Nunca vi tão grande manifestação do amor de Deus. Certamente eles se regozijaram com uma alegria indescritível. Não temos necessidade de exortar-lhes à oração, porque o espírito de oração inunda todo o colégio. Enquanto escrevo, os gritos de vários garotos, desde seus respectivos departamentos, ressoam em meus ouvidos. Desde que comecei a escrever, outros oito também foram liberados e se regozijam em Deus. São: John Coward, John Lyon, John Maddern, John Boddily, John Turgar, Charles Brown, William Higham e Robert Hindmarsh. Suas idades são de oito a catorze anos. São poucos os que resistem à obra e é provável que não consigam agüentar por muito tempo. Isto porque as orações dos que crêem parecem vencer todos os obstáculos. Também parece crescer em grande medida a obra de Deus entre os mineiros de carvão.


Eu já havia encerrado esta carta, mas continuo escrevendo para informar-lhe que mais dois de nossos meninos encontraram a paz e outros estão experimentando uma profunda convicção do pecado. Alguns de nossos amigos de Bristol estão aqui e ficaram estupefatos diante destes acontecimentos. Este é o dia que tanto desejamos ver, o dia que você vislumbrava e pelo qual suportou tanta oposição pelo bem destes pobres meninos”.

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